sexta-feira, setembro 08, 2006

O parto descrito pela mamã (continuação)

Aí vem mais um episódio desta comédia...
Aí sim, comecei a não ter tempo para pensar noutra coisa, tal era a concentração a cada contracção. A respiração era muito importante, ajudava a apressar o parto levando mais oxigénio ao útero, daí ter que evitar todos os movimentos que provocassem consumo de oxigénio noutras partes do corpo.
Já não saía muita água. O penso não necessitava de ser mudado constantemente. Calcei os chinelos de borracha, a enfermeira disse que eram mais práticos.
Lembro-me de esperar por uma contracção na ombreira da porta da cozinha, já doía muito. «Esperamos por uma contracção e depois descemos as escadas», disse o Bruno.
Já na rua ele foi à frente para abrir o carro. Não consegui entrar no carro sem me apoiar no tejadilho e «respirar». Entrámos.
«Achas que é preciso ligar os 4 piscas?»
«Não», respondi porque não se via viva alma!
Quase a chegar pedi-lhe para abrandar o carro e baixar a música. Nada me podia desconcentrar da «respiração». Ele encostou o carro.
«Já está» disse eu. E aí vamos nós directos ao Hospital.
Estacionámos. O Bruno saiu e como eu estava novamente a «respirar», foi tirando as 4 «encomendas», 2 para o bebé, duas para a mãe. Uma de cada era para a hora do parto: seria agora?
Enquanto respirava, queria dizer-lhe que bastava tirar as 2 mais pequenas, mas tive que o observar a tirar tudo do carro. Só pude falar com ele quando acabou a contracção.
Felizmente conseguimos um lugar para o carro mesmo à frente da porta da maternidade, não seria preciso andar muito.
Assim que chegámos ao guichet, tive que recomeçar a fazer a «respiração». «Como vê é urgente», disse o Bruno à senhora, enquanto eu respirava.
«Boa noite» disse eu assim que pude, fazendo a senhora rir. Já ela tinha tido tempo de telefonar para a médica de serviço e dizer que eu ia entrar para as urgências.
A noite estava calma, acho que não estava ninguém na sala mais próxima da saída. Lembro-me de ver o segurança.
O Bruno ficou sozinho na sala em frente à porta onde fui observada. Penso que me disse antes de eu entrar que ia telefonar aos pais.
Fui observada pela Dra. Benilde que me pediu para tirar a roupa toda e ficar só com uma bata vestida. «Ele ainda está com a cabeça muito lá para trás, mas digo-lhe já, está com 4 dedos de dilatação».
Nessa altura devo ter ficado branca. Por pouco o Tiago podia ter nascido em casa!
Assim que acabou a contracção seguinte, sentei-me na marquesa e perguntei: «Mas ainda dá para levar a epidural, não dá?» «Por este andar, não», respondeu.
Sentei-me numa cadeira ao lado da secretária dela e respondi (quando pude) Às inúmeras perguntas que se seguiram: Nome. Morada. Idade. Tempo de gestação. Doenças. O que jantei e a que horas. Etc. Etc. Etc. Lembro-me de pensar «Epidural? Por este andar não dá mesmo!»
Enquanto tentava concentrar-me na «respiração», nas perguntas e na dor, a auxiliar estrangulava-me o braço para me medir a tensão arterial.
«O meu marido gostava de assistir ao parto. É possível?» «Só se não estiver mais ninguém na sala de partos, mas tem lá uma colega.»
«É preciso ir buscar uma cadeira de rodas?» perguntou a auxiliar à médica. «Não, faz-lhe bem andar!»
«Boa!», pensei eu.
«Posso aproveitar agora que não tenho uma contracção para dar a minha roupa ao meu marido que está ali fora?». «Sim, sim» respondeu a Dra. B.
O Bruno estava ao telefone. Desligou-o e veio ter comigo. Disse-lhe que já estava com 4 dedos de dilatação e que já não devia dar para levar a epidural.
«Vais lá para dentro?», perguntou ele com certeza referindo-se à sala de partos (daaah!).
«Sim». Deu-me um beijo e assim que voltei a fechar a porta tive outra contracção.
A auxiliar já lá não estava e segui a Dra. Benilde por um corredor interminável e escuro. Como não consegui acompanhá-la disse-lhe: «Vá andando que eu já lá vou ter».
«Vá sempre em frente, é ao fundo à direita»- disse a Dra. Benilde. Lembro-me de encostar a testa a um tubo de ferro que estava na parede do corredor. O fresco soube-me bem. Fiz a «respiração» e assim que a contracção passou lá fui eu (estão a ver a cena?).
Ouvi a médica a fazer o resumo da minha situação e alguém me disse para ir para outra sala, mesmo em frente.
Subi para a cama, com a ajuda de um pequeno escadote que alguém arrastou para perto da cama. Disseram-me para me deitar de barriga para cima (o que dá imenso jeito). Fiquei sozinha.
Tudo o que aconteceu a seguir foi surreal:
Lembro-me de me porem o soro e da enfermeira perguntar à parteira «quer que ponha uns pózinhos?», ao que ela respondeu que não era preciso. Sempre pensei que talvez fosse algum tipo de anestesia e só há pouco tempo é que fiquei a saber que era oxitocina para acelerar o parto.
Lembro-me de me dizerem para fazer força.
De me dizerem para não parar de fazer força porque o bebé já estava com a cabeça de fora.
De sentir e ouvir talvez água a passar por mim e a cair (provavelmente) dentro de um balde (à talhante).
De ouvir um guincho estridente antes de cortarem o cordão umbilical.
Das enfermeira (e quem lá estava) dizerem «ehhhh!» quando o Tiago gritou.
De cortarem o cordão umbilical com uma tesoura com as pontas em ângulo recto.
De o porem em cima de mim de costas viradas para mim, mal lhe vi o rosto.
De me dizerem «agora vamos levá-lo para o limparmos».
De ele continuar a chorar.
De eu perguntar a uma enfermeira se ele estava bem e de ela me responder sorrindo «não está a ouvir?»
Ainda tive muitas dores para expulsar a placenta. As contracções continuaram até expulsar tudo.
A enfermeira F. (que fiz questão de saber o nome) demorou MUITO tempo a coser-me. Mais dores.
Alguém me veio dizer que ele pesava 3,080 Kg.
Disseram-me para eu passar da cama para a maca, o que fiz com muito esforço. Ia para a sala de recobro.
Quando passei pela porta vi estarem a vestir o meu bebé.
Mais à frente no corredor passei pelo Bruno, eram cerca de 2:30h da manhã do dia 12 de Setembro.
Ficámos os dois sozinhos e eu comecei a chorar. «Custou muito?» - Perguntou.
«Sim» - Respondi.

Amanhã vou publicar uma auto-foto do meu papá quando chegou a casa nessa noite (carinha de parvo), vou-vos dizer o que a minha mãe jantou nesse dia (deviam querer matá-la lá no hospital), e vou desvendar mais alguns segredos escondidos durante dois anos!
Aguardem...

9 comentários:

Mamã disse...

Deve ter sido um momento fant�stico, uma alegria �nica. Infelizmente n�o ouvi o meu beb� a chorar pela primeira viz. Estive 4 dias espectante com indu��o, ap�s indu��o, muitas horas em trabalho de parto,cheia de dores e contra��es, mas infelizmente acabou em cesariana de urg�ncia.
Parabens pela experi�ncia, ainda bem que correu tudo bem e o importante � que tens um filho lindo e saudavel
Beijokas grandes

Ana Fundo disse...

Claudia, adorei ler a descri��o do parto do Tiaguinho.
Realmente � mesmo de registo, para mais tarde puderem recordar tudinho ao pormenor.
Parab�ns pelo filhote lindo que vcs tem.
Beijinhos
Ana

rute28 disse...

Realmente um parto � sempre um parto , n�o me canso de ouvir contar ou ler.
Ainda bem que ocrreu tudo bem!!
bjs

Ana Santos disse...

A oxcitina acelara o parto mas as dores tamb�m s�o mais intensas.
Quase que tinhas o Tiago em casa.
tamb�m o meu Marco quando nasceu deitaram-no em cima de mim de costas viradas para mim, n�o lhe vi logo a carinha.
beijinhos
Ana e seus tesourinhos

Sergio21 disse...

bem... como um leigo que sou nesta mat�ria dou apenas os parabens �s maes que passam sempre por isto. por isso parabens!! a ti e ao Tiago!

Ester Beatriz disse...

Muito fofo seu blog...
Parab�ns!!!

Anokax disse...

Ai que ansiedade....quero o resto quero o resto :P
Bem, no final das contas at� foi r�pido...a comparar com m�es que t�o dias em trabalho de parto..foi muito bom o teu!! pa quando a menina? ehbehhe
Jinhus

mamã pintainha disse...

Oi :)

Olha quando quiseres manda a foto dele para o mail que t� l� que eu fa�o.

Bijukas gandes

PRINCIPES DO MEU REINO ! disse...

Ol�!!

Sinceramente n�o sei como vim aqui parar.. mas gostei muito do blog do Tiaguinho!

O teu filhote � pouco tempo mais velhinho qe os meus, que nasceram dia 27/09..

Vou voltar!!
Beijinhos
PAt

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