Quando a mãe é professora… e nós somos alunos:
Há certas situações em que ser filha de uma professora pode parecer uma grande vantagem.
Afinal, quando a minha escola está fechada e tenho de ir para a escola com a mamã, fico ali num cantinho da sala dela, a trabalhar enquanto ela dá aulas.
Tudo muito civilizado.
Até eu precisar de alguma coisa.
Porque, nessa altura, esqueço-me completamente de que estou numa sala cheia de alunos e lembro-me apenas de uma coisa muito importante:
Aquela professora é a minha mãe.
Por isso, lá estou eu:
“MÃE!”
E os alunos dela começam logo a rir.
A mamã, muito profissional, olha para mim e responde:
“As mães ficam fora da sala!”
Mais risos.
Então, da vez seguinte, resolvo tentar uma abordagem mais adequada ao ambiente escolar.
“Professora…”
Mais risos.
Começo a desconfiar de que, naquela sala, qualquer coisa que eu diga vai dar vontade de rir aos outros.
Mas hoje aconteceu uma situação mais séria.
Eu estava a trabalhar no meu cantinho quando descobri um problema gravíssimo:
Não tinha um lápis de cor amarelo.
Fui, portanto, pedir ajuda à professora.
E aqui aconteceu uma coisa extraordinária.
A professora respondeu-me exatamente como responde a qualquer outro aluno:
“Tens de pedir à tua mãe para te comprar. Se não lhe disseres, ela não vai adivinhar!”
Pois.
Fiquei sem saber se havia de rir ou se devia explicar que a minha mãe estava precisamente ali à minha frente. 😂
Ser filho de uma professora tem destas coisas.
Na escola, a mãe é professora.
Em casa, a professora é mãe.
E, pelos vistos, o lápis amarelo continua a ser problema meu.
P.M.A. (Post Multos Annos): Agora, em 2026, muitos anos depois, esta história continua a ter uma certa graça, sobretudo porque me lembro perfeitamente da cena: uma sala cheia de alunos, a professora a tentar manter a autoridade e, num cantinho, eu, a sua filhota a chamá-la simplesmente de “MÃE!”.
E há uma coisa que o tempo não mudou:
A frase “se não lhe disseres, ela não vai adivinhar” continua a ser uma das grandes verdades universais da maternidade. 😁
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